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Nada melhor que um fim de semana prolongado com chuva. O caos de São Paulo aumenta e cada um tem sua razão para usar seu carro, para ficar preso no trânsito, para gerar uma violência desnecessária. Agora que o mundo é grande e a terra é pequena estamos nos dando conta que não tem espaço para todos. Que se tivermos sorte poderemos desfrutar um pouco do que resta da Paz. Muitas neuroses juntas gera mais neurose. Como encontrar um pouco de silêncio e contemplação.
Sete de Setembro. Eu sou de uma geração que aos dezoito anos pode votar para Governador, para Prefeito da Capital…que pode participar das diretas já. Que enfim conheceu a abertura política. Ainda tinha a emoção de poder lutar contra o poder estabelecido, de poder ser rebelde e encontrar muitos seres com o mesmo desejo. Para muitos da minha geração sete de setembro era obrigação, era coisa de militar, era uma demonstração de força por parte da repressão. Daí que por isso virávamos as costas.
Estou trabalhando num filme histórico no Uruguai. Artigas é o nome, se não do principal, da figura histórica mais respeitada e tida como um procér da República Oriental do Uruguai. Enfim um heroí nacional.
Os malvados são os Portugueses (nossos ancestrais), o triumvirato portenho que querem ter contrôle sobre toda região, os espanhoís que são o governo local mas já não estão tão fortes e enfrentam uma crise na metrópole.
Enfim a história se passa no meio de uma revolução mundial, logo após a bem sucedida revolução Americana e a conturbada Revolução Francesa.
Oito mil pessoas contra o resto do mundo. Com apoio do Paraguai mas sem fundos para financiar uma guerra de libertação. Um movimento fadado ao fracasso mas cheio de sonhos e projetos para fundar uma nação onde aja igualdade.
A imagem do Artigas foi usado pela esquerda radical assim como a direita. Ele foi o Che daquela época.
O filme conta a história dele.
Aqui no Brasil não temos paralelo…
Talvez o Zumbi dos Palmares, talvez o Movimento Tenentista, Tiradentes e a Inconfidência Mineira,…
Existem alguns mas um libertador do Brasil não temos.
Nossa proclamação se deu como todos sabem através do filho do Rei e da manutenção do poder já estabelecido. Não houve um debate maior. Foi algo que aconteceu no gabinete.
Se foi melhor assim não sei. Nem sei se o fato de não termos um pai da pátria seja melhor ou pior. A idéia de nação é que é mais complicado. O que eu acredito que tenha sido a maior vitória da revolução norte americana. Seus valores se mantêm sem precisar serem reformulados. Se sua visão do resto do mundo é a mais correta, acredito que não. Se seus valores servem para nós, também não.
Acredito que precisamos ter símbolos, marcos, momentos em que refletimos como queremos continuar a existir aqui e estabelecer ideais comuns a todos.
Talvez com o crescimento econômico possamos através da educação conseguirmos gerar esse debate de norte a sul. Talvez possamos transformar o sete de setembro de desfile militar em um passeio pacífico pelo bem comum da nação. Chega de demonstração de força.
Nação é o conjunto das diversas comunidades que são formados por indivíduos.
Ainda acredito em ideais coletivos. Minha arma tem sido minha arte, minha escrita, minha fala…
Dificilmente me veria pegando em armas e usando a força para alcançar os objetivos pelas quais luto.

O que é bom de escrever nesse blog é o fato que eu escrevo para quem não conheço para me conhecer melhor. Auto conhecimento se faz melhor quando rodeado por semelhantes que se fazem pares. Só o auto conhecimento pode melhorar nossas ações nesse mundo e salvar nossa natureza.

A tirania faz parte do nosso DNA. Assim como todos nós temos poder mas preferimos delegar ele a um outro estranho ao invés de exercitarmos nós mesmos. Parece que a imagem do ser frágil, desprovido de poder seduz mais que a pessoa que faz por si mesmo e não espera acontecer. Mas que não se confunda o frágil e sensível com o sujeito desprovido de poder e insatisfeito. Pessoas insatisfeitas são tão perigosas quanto ditadores por que elas se juntam temporariamente em nome de um ditador momentâneo e outorgam seu poder aquela pessoa querendo com isso encontrar a satisfação. Mas não a libertação.
Hoje as tiranias não se estabelecem em algum lugar elas vagam por aí mais eficientes que o vírus de uma gripe. Ela se instala dentro de cada um e espera o seu momento. Hoje todos podem ter seu momento de tirano e não saberem. Apenas que hoje toda essa forca se volta para o consumo e sua adesão se faz em nome do individualismo mas não do indivíduo. Nos comparamos constantemente e nos cotamos. Quem tem mais, quem tem menos, quem é mais feliz, quem sofre mais…as comunidades se afinam por aquilo que elas dizem ter e não pelo que se propõe criar….
Sete de Setembro vai longe… e hoje é apenas sexta feira. Ouço as buzinas da cidade e não consigo imaginar como era aqui em 1800. Talvez o canto do passarinho encoberto pelo som do helicóptero possa me dar uma dica…
Bom feriado a todos!

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