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Christian Duurvoort – O Ator Imaginário

Em quase trinta anos de atividade aprendi que é possível realizar seus sonhos. O meu era inventar um modo de trabalhar que pudesse dar mais prazer para mim e para as pessoas que viessem a trabalhar comigo.

Minha trajetória é um misto de estudos formais sem alcançar nenhum diploma, experimentações, pesquisas, experiência de situação… enfim a trajetória de um auto didata.

Comecei fazendo teatro de grupo em São Paulo no ínicio dos anos 80. Entrei na USP mas abandonei para ir viver na Europa. Morei em Amsterdam de 84 à 89 onde estudei mímica contemporânea, tive uma banda de pagode e dirigi espetáculos de dança contemporânea. Depois mudei para Paris e fui ser aluno do Jacques Lecoq e conheci seu método de teatro corporal. Em seguida conheci a Monika Pagneux, de quem fui aluno e assistente e que me ensinou seu maravilhoso método de preparação corporal do ator. Ela havia sido por mais de dez anos colaboradora de Peter Brook no Centro de Pesquisas Teatrais que ele dirige.

Voltei ao Brasil em ’95 e comecei a dar aulas no Teatro Escola Celia Helena, tornei a dirigir tanto na escola como fora mas me dedicando sempre ao desenvolvimento do método Ator Imaginário. Em 2000 dirigi Salomé, ensaio de um retrato. No ano seguinte fui dar aulas no estúdio Fátima Toledo e trabalhei com ela nos filmes O Desmundo e Cidade de Deus.

Em seguida veio a série Cidade dos Homens que preparei durante quatro anos de 2002 à 2006. Em 2003 preparei os atores do longa Jogo Subterrâneo com Felipe Camargo, Maria Luíza Mendonça, Julia Lemmertz e direção de Roberto Gervitz. O filme tem ainda a menina Thávyne Ferrari fazendo o papel de uma criança autista o que foi um grande desafio.

Em 2004 preparei Noel O Poeta da Vila, com o estreante em cinema Rafael Raposo fazendo o Noel Rosa  e Camila Pitanga, Roberta Rodrigues, Fábio Lago num elenco de atores e músicos do Rio de Janeiro e direção de Ricardo van Steen.

Em 2005 preparei a série Filhos do Carnaval com Jece Valadão, Henrique Diaz, Rodrigo dos Santos, o rapper Thogun, Mariana Lima, Shirley Cruz, Roberta Rodrigues, Felipe Wagner. Que teve sua segunda temporada em 2009 com Walmor  Chagas no elenco.

Ainda em 2005 preparei o Banheiro do Papa filme uruguaio dirigido por César Charlone e Enrique Fernandéz. Que venceu o Festival de Cinema de São Paulo e conta com um elenco de pouca ou quase nenhuma experiência de cinema. Maravilhosa experiência que me fez ir para Cuba dar aulas na Escuela de Cine y Television de San Antonio de los Banos.

Naquele ano ainda trabalhei com a diretora Lina Chamie no seu longa A Via Láctea com Alice Braga, Marco Ricca e o menino Guillermo.

Em 2006 Cidade dos Homens foi transformado em longa metragem com a direção de Paulo Morelli. Encerrava-se um ciclo em que despontaram: Douglas Silva e Darlan Cunha. E para mim serviu para dar formato ao meu método de trabalho.

Em 2007 veio o grande desafio de preparar o Ensaio Sobre a Cegueira sob a direção de Fernando Meirelles. Foram mais de cinco meses de trabalho, oitenta oficinas, setecentas pessoas, três países, atores com formações distintas e diferentes niveís de experiência em cinema. Além da responsabilidade de inventar uma cegueira única e elaborar uma técnica que pudesse ser aplicada em larga escala mantendo a qualidade.

Em 2008 fiz a preparação do filme Natimorto do Paulinho Machline com o escritor/ator Lourenço Mutarelli. Um filme delicado e intimista a flor da pele. Depois fui a Salvador encarar o projeto Capitães de Areia composto de uma oficina seletiva para 90 meninos entre 8 e 16 anos de idade de dois meses de duração e da preparação dos atores para o longa. Um trabalho incrível de direcionar força a criativa desse meninos para que conquistasse a linguagem do cinema.  Ainda por lançar é o primeiro trabalho de direção Cecilia Amado.

Em 2009 comecei preparando o elenco de 400 contra 1 em que trabalhei num colônia penal com internos e atores como Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Fabricio Boliveira, Blanca Messina… o filme  é  dirigido por Caco Souza.

Em seguida trabalhei com Lázaro Ramos, Fernanda Machado e com a pequena Vitória no longa Amanhã Nunca Mais dirigido por Tadeu Jungle.

Também preparei o elenco do longa metragem Nosso Lar dirigido por Wagner de Assis.

E por fim La Redota, filme uruguaio dirigido por César Charlone que se passa em 1812 e conta um pouco a vida de Artigas. Com um elenco de atores profissionais e atores preparados para fazerem o filme.

Em 2010 trabalhei como ator e preparador de elenco num curta metragem Gogó da Ema dirigido por Caio Vecchio, foi bom brincar de novo de ator e poder inventar um personagem que espero que tenha ao mesmo tempo credibilidade, humor e um jeito patético de ser.

Depois veio um grande desafio preparar o elenco do longa metragem Xingu. Tudo era superlativo. A começar pelas distâncias físicas. Horas de viagem para chegar no Parque. Depois distância cultural, a língua e o fato de que este grupo indígena não conhecia teatro. Mas a maior travessia seria o ressentimento que justificadamente os povos indígenas tem com o brasileiro ou não indígena. Por si só valeu a experiência para além da arte e mais humano.

No segundo semestre fiz uma nova experiência como diretor. Foram nove documentários que dirigi sobre o tema Pontos de Cultura que trabalham com a infância e adolescência.

Em 2011  na Itália preparei A Montanha  de Vicente Ferraz. Filme sobre brasileiros na segunda guerra mundial, amizade, diferenças, sobre ser humano numa situação limite… enfim um filme sensível com grandes atores.

Depois terei mais duas produções: uma em Santa Catarina e outra em São Paulo.

4 pensamentos em “Bio

  1. Ave Christian,
    você é sempre uma saudável e constante inspiração às pessoas que também buscam um “fazer” do cotidiano. Vida longa! (curta?!) Muita Merda! da ruim e da boa.

    • Não esqueci… está no meu currículo. obrigado por me alertar já fiz uma alteração do texto. abraço Chris

  2. Naao sabia aonde escrever vou escrever aqui mesmo hehe ,
    sou a Ianny , voce me conheceu quando veio em Macapa , na palestra de um autor superlegal la no teatro .
    voce me perguntou o porquê de eu nao fazer aula de teatro , eu sempre tive vontade mas nunca decidi me aprofundar no meio , ate que apartir daquela sua pergunta eu comecei a me interessar !
    hoje eu tava no teatro e conheci um homem que me apresentou outro homem que faz parte de nao sei oq das oficinas de teatro….
    eu vou fazer e vai começar em janeiro .
    obrigada por me motivar sz
    ate outro dia quando voce vim aqui em Macapa (espero que voce nao tenha esquecido de mim msm rsrs) .

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