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Nada é Por Acaso?

Na raiz de nossas dificuldades para criar, para se desenvolver dentro da profissão e desfrutar do nosso trabalho está a ansiedade. Ela se manifesta pela necessidade que temos de acertar, de ser aprovado, de não errar, de produzir cada vez mais e melhor gerando em nós um bloqueio, que nos impede de ter prazer, que nos aliena de nós mesmos, nos tornando vulneráveis e desesperados.
Nas Artes Marciais se diz que você é o seu maior adversário, lutar é a ação que te permite conhecer as suas fragilidades, o outro lutador é quem te alerta.
Nas aulas eu costumo dizer que é preciso saber perder. E que é bom perder. Até a hora em que você experimenta a derrota.
Recentemente percebi que a minha ansiedade me fez enfraquecer diante do meu ego, o meu maior adversário, e que perdi assim a possibilidade de fazer um trabalho que estava certo.
Eu não sou psicólogo e nem tento ser. A idade e a experiência são minha escola. Para mim a ansiedade não tem cura. Acredito que dê para administrar, minimizar e fazer desaparecer mas para isso é preciso disciplina, humildade e desapego.
É preciso ter persistência.
No Oriente se diz que melhor que ter vários professores ter um bom professor e seguir ele. Eu fiz isso durante um período da minha vida e continuo fazendo.
Faço poucas aulas. Mas preciso me preparar para fazer meu trabalho de Preparador.
A vida não se separa em caixinhas, trabalho, família, amigos, estudo, lazer… é o mesmo corpo, contendo o mesmo ser humano que se desloca de um lugar para outro se adequando ao ambiente que se encontra. Mas mesmo a adaptação tem um limite. Saber seus limites reduz a ansiedade.
Agora se é para aprender sobre seus limites eu posso ajudar. Eu sei que aprender sobre seus limites ajuda a expandir os mesmos fortalecendo sua auto-conhecimento. Para o ator isso é primordial.

Auto Conhecimento
Existem muitas maneiras de se obter o auto conhecimento. Para mim ela sempre parte de uma ação. Só quando me dedico a uma ação possibilito que o conhecimento chegue a mim. Desde que minha ação não seja fugir do conhecimento.
É como um passeio por uma paisagem de montanhas.
Quando você olha para uma você crê que atrás dele tem um vale uma outra paisagem. Mas ao subir aquela montanha acreditando ser a única você se depara com uma outra e vê no horizonte mais outras, sem ver um vale… Você pode desistir ou você pode continuar. As montanhas estarão por lá, a paisagem continuará a existir e você mesmo optando por permanecer lá vai continuar existindo. Você também pode optar por conhecer as montanhas e até mesmo alcançar o vale permitindo que você aproveite aquilo que a experiência de estar nas montanhas lhe propicia.
Faço essa reflexão a luz de um momento surpreendente que foi a preparação de A Montanha. A paisagem ficou impregnada em mim e a maneira como a preparação se deu me tocou muito.
No curso que dei logo na volta da Itália falei sobre o desejo de rever meu modo de trabalhar.
Mas foram dois descuidos resultando na perda de um trabalho e num pé acidentado que me obrigaram a mudar o esquema, sair do hábito e me olhar de novo.
Às vezes é necessário uma dor para nos darmos conta da nossa humanidade.

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