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Na semana que vem vou dar aula no Rio de Janeiro.

Aqui vai um texto para os futuros alunos. Espero que leiam antes de ir a aula.

Fazem muitas semanas que deixei de escrever meu relato semanal.

Férias merecidas e um cansaço além do normal depois da maratona Destino SP.

Seis filmes de meia hora com atores inexperientes e uma dramaturgia que não deixava a facilitava a vida dos atores.

Acho que gastei uma quantidade enorme de energia mais valeu a pena.

Fui a Portugal. Foi um curso muito bom apesar do meu cansaço.

Lisboa é linda. Uma cidade preservada das guerras e dos bombardeios.

Que já sofreu com terremotos e grandes incêndios.

Na Europa o Tempo é diferente.

O interessante é que não existem muitas pessoas que se debruçam sobre a questão do ator no cinema.

O Teatro é a base e com isso já dá prá fazer algo.

Entretanto o Tempo do cinema é outro. Muitos atores vão procurar se aperfeiçoar e se adaptar a linguagem cinematográfica nos Estados Unidos.

Lá professores como Lee Strasberg, Stanford Meisner, Stella Adler formaram uma geração de grandes atores. Esses por sua vez marcaram o cinema.

Na base de tudo isso está o trabalho desenvolvido no teatro por Constantin Stanislávski. No Brasil duas pessoas “representaram” o trabalho dele: Eugênio Kusnet e Ziembinski. Que por sua vez influenciaram uma geração de grandes atores.

Eu mesmo me relaciono muito de longe com tudo isso. O que mais me marcou foi um livro do Augusto Boal e um outro do Kusnet, dos quais infelizmente não me lembro o título. O livro do Boal havia uma análise do trabalho do Stanislávski e do Brecht que me elucidaram muita coisa. Mas o que mais me impressionou foi a pesquisa que ele realizava com o Teatro do Oprimido. O Teatro como meio de Libertação do Indivíduo. Com isso me identifico e foi com essa intenção que desenvolvi meu trabalho.

Mais tarde li e pude assistir espetáculos do diretor Peter Brook. Pude também conhecer o trabalho de Jerszy Grotowski através de livros e de uma palestra que ele deu em São Paulo. Se não estudei com ele participei de um workshop de um discípulo dele: François Kahn.

Tudo isso me formou o pensamento e o modo de ver. Porém a prática foi essencial. Para mim a informação se torna mais potente e pode virar conhecimento se experimentado fisicamente.

O cinema é uma brincadeira cara e que precisa ter resultado. Precisa também falar com o grande público. Um filme para ser considerado de sucesso no Brasil precisa passar 1 milhão de espectadores. E mesmo assim é ainda mediano seu resultado. A margem de experimentação é reduzido assim como a margem de risco. Existem poucos diretores que podem realmente fazer o que querem com seu projeto. Todo o projeto faz parte de um sistema de produção em que todos se empenham em dar continuidade.

O cinema é muito mais caro que a televisão. Mais uma obra cinematográfica agrega muito mais valor artístico que uma obra televisiva. Apesar da televisão ser muito mais acessível e “democrático” que o cinema, já que a televisão vem até o espectador enquanto no cinema o espectador precisa até a obra.

O que isso tem haver com o ator?

Muita coisa. O Tempo da televisão é muito mais curto que o do cinema que é menor que o tempo do teatro. Ou seja a criação do ator (ele ainda é um criador pois interpretar é um processo de criação) é mais imediata na televisão do que no teatro e por isso ele pode ser considerado superficial.

Mas não é bem isso. Acontece que por ter que preencher uma grade enorme de programação as televisões empurram ao máximo os limites de tempo de produção para que eles sejam os menores possíveis. E ao mesmo tempo exigem resultados maiores. Para conseguir isso precisam se pautar cada vez mais no que já foi provado ser de sucesso e formatam tudo para ganhar tempo. Ou seja já existe um formato pré concebido que limita a ação criativa do ator. Além de que em novelas a dramaturgia, o drama de um personagem é diluído pelo tempo e está sujeito a aceitação pelo público. Enfim uma loucura.

Eu nunca trabalhei nesse esquema.

As séries de televisão que fiz tinham um esquema de produção diferente e permitiam aos criadores mais tempo para encontrar material mais interessante.

Eu comecei desenvolvendo meu método de trabalho no teatro. Vim daquilo que se chama teatro físico, teatro visual ou performance. Mas foi quando fiz a série Cidade dos Homens aprendi a lidar com o tempo de produção da televisão. Essa passagem não foi fácil e fiz sem abrir mão de nenhum dos meus valores, conceitos e ética.

Acredito que dá para trabalhar sem violência (de qualquer espécie), que dá para libertar a força criativa do ator para que possa se entregar ao drama do seu personagem, que os atores possam ser mais que intérpretes, que atuação flua com Prazer.

É isso que forma meu método.

Ação gerando Pensamento e Emoção. Tudo é Movimento e Tudo está em Movimento.

Se nos permitirmos conseguimos ampliar nossas possibilidades e desenvolver nossas potencialidades.

Mas se apenas pensamos em resultados imediatos estaremos mais próximo do fracasso, da frustração e da passividade que do Prazer, da Superação, da Vitória.

Voltei…

5 pensamentos em “Voltei…

  1. Uau… Adorei o texto! Um panorama das bases de interpretação modernas! Além dessas suas experiências super bacanas!
    Chris é um poço de surpresas positivas.
    Parabéns!

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