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Ontem a noite entrei na ‘arena’ outra vez. Fui ser ator numa campanha sobre Aquecimento Global.

Tive o prazer de contracenar com uma grande atriz: Mariana Lima.

E ser dirigido pelo talentoso Heitor Dhalia (Diretor de À Deriva e o  Cheiro do Ralo)

Foi um prazer se bem que o filme é triste. Mas diferente da maioria das campanhas publicitárias que já fiz nesse não sorria. Àlias o assunto é muito sério e estamos deixando rolar para ver onde vai dar. Vai envolver altos sacrifícios para reduzir os índices de aquecimento da atmosfera e sobretudo uma verdadeira transformação na atitude que temos em relação ao consumo e como queremos continuar vivendo.

Eu tenho 46 anos e desde meus dez anos de idade ouço falar em ecologia, em buracos na camada de ozônio, na poluição do meio ambiente, na escassez de recursos, na super população… enfim em tudo isso mas eu mesmo não mexi um dedo.

Lembro da campanha do Sujismundo, um personagem que jogava lixo na rua. Era um desenho bem simples com um jingle também bem simples mas para mim funcionava. Eu não queria ser um Sujismundo e achava essa atitude feia. Desde então não jogo papel na rua e procuro uma lata de lixo. Hoje precisamos de mais.

As crianças podemos educar e os meios de comunicação de massa devem ajudar.

Os adultos já é mais complicado… é um hábito empurrar a responsabilidade para o outro. Precisamos crescer na mentalidade. Política social não é apenas caridade. Dar de comer é importante mas tornar a pessoa consciente do que ela representa também.

Voltando a brincar de ator, eu utilizei varios elementos para me inspirar e motivar para me envolver na situação do roteiro, um casal em crise quando as partes não conseguem se escutar e menos ainda falar. O roteiro era uma indicação e o Heitor gostaria que nós desenvolvessemos mais a situação. Fazer um improviso de uma situação densa.

Para lidar com a pressão fui para o set e enquanto afinavam as luzes, fechei os olhos e coloquei as mãos na barriga me sentindo mais em contato comigo e esquecendo a equipe.  Foi importante por que em seguida as vozes foram se calando e aquela descontração foi indo embora. Nós precisávamos de muita intimidade.

Depois a Mariana chegou e nós conversamos um pouco e depois ficamos em silêncio. Sem nenhum pudor demonstramos ao outro nossa inqueitação, nosso nervosismo, conseguimos uma concentração maior. O que nos incomodava era que nós não tínhamos naquele momento razão para nos maltratar do jeito que o roteiro pedia. Mas tem que ter razão para maltratar alguém? É algo que fazemos sem muita argumentação prévia. Muita vezes fazemos isso por que queremos defender nossos interesses.

Sem pensar muito e durante a ação me passaram muitas imagens da minha vida quando passei por crise similar, momentos em que tive que me calar por que eu sei que o outro lado fala mas não quer me ouvir… aos poucos a posição de defesa foi surgindo em meu corpo e aí pude desfrutar do que estava produzindo e deixando meu imaginário ter liberdade para trabalhar. Já não era mais uma situação da minha vida, eu não mais um marido que se cala, que deixa a mulher falar ao invés de abraçar ela, eu já era a própria imobilidade, indiferença, ignorância daquele que pode fazer algo mas que se fecha em sua falta de generosidade….

Enfim viajei… pude experimentar um momento criativo lindo!

Obrigado Mari e Heitor. Valeu!

Um pensamento em “Brincando de Ator

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