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Nunca fiquei tanto tempo sem escrever…

Na última semana de novembro de 23/11 à 28/11 vou dar mais um curso intensivo na AIC. Ver mais no site http://www.aicinema.com.br

La Redota

Esse é o nome da produção que estou trabalhando nesse momento.

Escrevo num ônibus e espero que a bateria não acabe.

O filme se passa no Uruguai e é uma co-produção entre Espanha, Uruguai e Brasil.

Mesmo assim é um B. O. (baixo orçamento).

Viver de cinema na América Latina é um privilégio mas vou conseguindo com muita criatividade.

O filme conta a história de um militar espanhol em crise de identidade, deixado ao seu próprio destino numa América do Sul em revolução separatista. Preso em Buenos Aires por roubo a um emissário do exército rebelde de Artigas tem nova chance de continuar vivendo se aceitar a missão que o governo de Buenos Aires lhe dá: assasinar Artigas. Para tanto se disfarça de repórter que escreve para um jornal norte americano e que veio ao país para encontrar um revolucionário.

Essa é a trama principal mas o filme conta muito mais sobre a America Latina atual. Desde o começo do projeto o diretor e co-roteirista do filme César Charlone me disse que a personagem principal do filme é o acampamento onde o Artigas e seus seguidores se escondem. Para ele lá é a gênese do que vem a ser o país Uruguai. Um lugar onde se luta pela igualdade, pela liberdade, pela fraternidade, pela justiça, pelo direito a vida, a existência.

Eu entendo muito bem essa colocação. O Uruguai é um país que teima em existir. Esprimido por entre dois países que sempre disputaram a hegemônia da região (Hoje é o Brasil quem manda mas amanhã nunca se sabe.) Uruguai sempre foi um fiel da balança fazendo o pender para um lado quanto para o outro as forças da região. País que por ter as mesmas raízes espanholas se identifica muito com Argentina luta como irmão menor para ser reconhecido como sendo algo diferente e não um apêndice. Por outro lado é um país que por razões mais subjetivas se volta para o Brasil, talvez por ver ali uma sociedade multi cultural que existe nas suas minorias invisíveis.

Nesse momento em que o Brasil tem uma imagem mundial de dinamismo, de tolêrancia racial, em que se afirma como país no quadro mundial para mim é bom reavaliar minhas posições e tomar distância. A História pode não ser linear e nem ser uma eterna repetição mas olhar faz refletir sobre o que se já fez e o que se quer fazer.

O Brasil é o mocinho da américa latina por que a distância entre os mocinhos e os bandidos diminui muito. O Brasil tem se esmerado no marketing. São anos fazendo isso mas desde o período FHC até agora nunca se conseguiu tanto sucesso comercial como agora. Talvez nem nos anos JK.

Veremos o que se dará no ano que vem.

Realidade e ficção. A dificuldade de um filme histórico é dar um sentido, transmitir uma mensagem e utilizar o fatos históricos para dizer algo que interessa hoje. A revisão crítica da história oficial ou tida como definitiva é uma função mas acredito que não seja a função da ficção. Para mim a ficção é um exercício de liberdade, de díalogo entre o imaginado e o vivido. É uma lupa e ao mesmo tempo um portal. Difícil não pensar na ficção e não pensar que ela seja apenas uma visão pessoal do que se vê. Mas para mim a ficção é uma materialização de algo que eu quero ver. É a expressão de imagens interiores que ainda não ganharam forma.

A dificuldade do ator é assumir a liberdade que a ficção dá de transmitir sua mensagem sem precisar negociar com a realidade do cotidiano. Atores também se sentem oprimidos e até tímidos no seu dia a dia. Seus papeís os ensinam sobre o mundo mas não escondem o indivíduo.

Atuar é um exercício de si. É experimentar ao máximo sua potencialidade de indivíduo. É poder expandir suas fronteiras para conhecer seus limites.

Imagina que seu personagem é alguém que vai ser julgado e posto em exílio. Quantas sensações horríveis, quanta vontade de lutar, gritar, quanta pressão, frustração essa personagem vai sentir. Que interessante poder fazer sabendo que nada vai acontecer mas por que é importante esse exercício para continuar vivendo. E mesmo manter outras pessoas vivas.

Claro que o que sente o ator não é o mesmo que sente a personagem e nem o espectador. Claro que o ator é um ser humano que precisa ser respeitado e que tem seu direito de não querer se submeter a fazer isso. Tudo isso é importante pensar antes mas no momento que se sobe na montanha russa o melhor é se deixar levar pela experiência. E confiar que a pessoa que está operando a montanha russa sabe que aquele negócio não se vai se romper e que eu não vou me fazer mal.

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