Tempo

O Tempo de um lugar não é igual ao outro.
Fiquei tão envolvido com a falta de rotina que nem vi que fazem 4 semanas que não escrevo aqui.
Recentemente tive o prazer de falar sobre a preparação do meu primeiro longa Jogo Subterrâneo dirigido por Roberto Gervitz. Foi ele que me convidou para falar sobre esse trabalho nas aulas de direção que ele estava dando na Escola São Paulo.
Foram muitos os desafios do filme. Preparar uma menina de oito anos para se comportar como uma criança autista.
Preparar um ator experiente para um papel difícil, silencioso, contido, explosivo…
Elaborar uma estratégia para testar os atores principais.
Eu aprendi muito e fui muito testado. Os anos de teatro, de leitura de texto, os anos de auto conhecimento, de leitura de textos sobre o funcionamento da mente, do corpo, dos sentidos, de como aprendemos…enfim tudo que recolhi em anos de leitura aparentemente aleatória foi totalmente utilizado.
Foi o primeiro trabalho em que o diretor me pediu uma análise dos personagens, uma proposta de como abordar essas personagens, de uma análise da temática do filme.
Eu não conhecia bem o Roberto mas não me intimidei. Eu agradeço que ele tenha me pedido tanto por que logo pensei que seria bom sistematizar meu método de trabalho.
Experimentei muita coisa. Mas muitos exercícios foram resultados de investigações anteriores, de um pensamento formado durante anos de trabalho anterior a minha entrada no cinema.
O Teatro continua sendo para mim um lugar maravilhoso para se aprender. A Arte que lá se faz é outra do que o público vê. O envolvimento que se pede as pessoas e ao grupo é muito enriquecedor. Por ser uma forma de arte imediata pode se desfrutar logo daquilo que se produz e seguir se aprofundando logo.
Enfim eu quis falar do filme mas falei do teatro.
Esse filme me possibilitou aplicar o meu modo de trabalhar a uma linguagem nova para mim.
Nessa época nasceu meu filho e sinto que nasci junto com ele. Hoje ele tem oito anos de idade é a idade do meu Método como hoje ele se apresenta.

Novidade

Meu último post foi sobre o módulo 2.

Confesso que estou excitado com esse curso por que vou experimentar um novo formato, evoluir na maneira de apresentar meu trabalho compartilhando mais das experiências que a prática me traz.

A base é mantida, tenho um roteiro definido mas sei que vou improvisar.

Isso não é só no curso mas é parte do meu dia-a-dia.

É uma rotina ter que quebrar a rotina e se re-organizar mas é mais excitante quando isso é premeditado. Para mim esse é o momento em que se rompe com o controle e se testa o domínio.

Nos cursos eu tenho mais espaço para experimentar, de produzir sem me preocupar demasiadamente com resultado. O desafio nesse curso será fazer o que normalmente faço com muito mais tempo em um tempo menor e trazer os participantes para meu ritmo de trabalho.

Novidade é bom. No meu caso o mundo tem sido a minha escola. Experiências anteriores minhas ou de outras pessoas às vezes me ajudam, às vezes me atrapalham. Ao dar aulas eu não dou receitas mas sensibilizo e fortaleço as pessoas a seguirem seus próprios caminhos. Mesmo que o caminho dela seja conflituoso com meu modo de pensar. Conflitos podem ser criativos e sinais de um caminho novo. Conviver é difícil. Mas podemos nos fortalecer como indivíduos participando de coletivos, exercitando e evoluindo nossa comunicação.

Mesmo que aconteçam mais desastres naturais provocados pela natureza ou pelo Homem o grande desafio é a comunicação. Esse espaço infinito e desconhecido. A tecnologia cria mais veículos e possibilita o acesso maior. Mas não é da natureza da tecnologia criar o conteúdo.

O conteúdo é parte da mensagem. E ainda temos muita dificuldade em desenvolver-la. Por que a essência dela não muda, ainda precisamos compreender por que estamos aqui mas os aspectos da nossa existência que queremos trazer a tona são reflexos do que é o nosso existir hoje.

No curso vou analisar um roteiro, discutir por que contar essa história, tanto do ponto de vista do diretor quanto do ator, para passarmos a uma versão reduzida do mesmo gravado em vídeo. Vou estimular os participantes a elaborarem sua estratégia para criar.

Criar é basicamente ocupar os espaços com ações.

Até o dia 18/4 na FAAP

Coaching

Aproveitando uma brecha na minha agenda resolvi abrir um período em que me dedico ao Coaching de Atores.
Já havia sido consultado sobre essa possibilidade mas coincidiam com períodos de produção o que impediam de acontecer.
O Coaching é um treinamento que tem a finalidade ampliar a capacidade técnica, aperfeiçoar habilidades, aumentar a concentração, preparar para começar um novo projeto, ou para fazer um teste segundo as necessidades do aluno e elaborado à partir da avaliação do Coach.

O tempo de Coaching que proponho é um mínimo de cinco sessões de duas horas.
O ideal são dez que não precisam ser seguidos. Porém existe flexibilidade de acordo com que cada um busca.

Para saber os valores, condições, horários e local mande um e-mail para: academiadaimaginação@gmail.com

Nada é Por Acaso?

Na raiz de nossas dificuldades para criar, para se desenvolver dentro da profissão e desfrutar do nosso trabalho está a ansiedade. Ela se manifesta pela necessidade que temos de acertar, de ser aprovado, de não errar, de produzir cada vez mais e melhor gerando em nós um bloqueio, que nos impede de ter prazer, que nos aliena de nós mesmos, nos tornando vulneráveis e desesperados.
Nas Artes Marciais se diz que você é o seu maior adversário, lutar é a ação que te permite conhecer as suas fragilidades, o outro lutador é quem te alerta.
Nas aulas eu costumo dizer que é preciso saber perder. E que é bom perder. Até a hora em que você experimenta a derrota.
Recentemente percebi que a minha ansiedade me fez enfraquecer diante do meu ego, o meu maior adversário, e que perdi assim a possibilidade de fazer um trabalho que estava certo.
Eu não sou psicólogo e nem tento ser. A idade e a experiência são minha escola. Para mim a ansiedade não tem cura. Acredito que dê para administrar, minimizar e fazer desaparecer mas para isso é preciso disciplina, humildade e desapego.
É preciso ter persistência.
No Oriente se diz que melhor que ter vários professores ter um bom professor e seguir ele. Eu fiz isso durante um período da minha vida e continuo fazendo.
Faço poucas aulas. Mas preciso me preparar para fazer meu trabalho de Preparador.
A vida não se separa em caixinhas, trabalho, família, amigos, estudo, lazer… é o mesmo corpo, contendo o mesmo ser humano que se desloca de um lugar para outro se adequando ao ambiente que se encontra. Mas mesmo a adaptação tem um limite. Saber seus limites reduz a ansiedade.
Agora se é para aprender sobre seus limites eu posso ajudar. Eu sei que aprender sobre seus limites ajuda a expandir os mesmos fortalecendo sua auto-conhecimento. Para o ator isso é primordial.

Auto Conhecimento
Existem muitas maneiras de se obter o auto conhecimento. Para mim ela sempre parte de uma ação. Só quando me dedico a uma ação possibilito que o conhecimento chegue a mim. Desde que minha ação não seja fugir do conhecimento.
É como um passeio por uma paisagem de montanhas.
Quando você olha para uma você crê que atrás dele tem um vale uma outra paisagem. Mas ao subir aquela montanha acreditando ser a única você se depara com uma outra e vê no horizonte mais outras, sem ver um vale… Você pode desistir ou você pode continuar. As montanhas estarão por lá, a paisagem continuará a existir e você mesmo optando por permanecer lá vai continuar existindo. Você também pode optar por conhecer as montanhas e até mesmo alcançar o vale permitindo que você aproveite aquilo que a experiência de estar nas montanhas lhe propicia.
Faço essa reflexão a luz de um momento surpreendente que foi a preparação de A Montanha. A paisagem ficou impregnada em mim e a maneira como a preparação se deu me tocou muito.
No curso que dei logo na volta da Itália falei sobre o desejo de rever meu modo de trabalhar.
Mas foram dois descuidos resultando na perda de um trabalho e num pé acidentado que me obrigaram a mudar o esquema, sair do hábito e me olhar de novo.
Às vezes é necessário uma dor para nos darmos conta da nossa humanidade.

Il Uomo Imaginario

Il Uomo Imaginário

 

Termino a minha participação no filme A Montanha, estou num trem viajando para Milão e como de costume escrevo. Amanhã volto para São Paulo para começar  a oficina Ator Imaginário na Faap. A turma está quase completa.

Nesses últimos dias tivemos a presença da neve. O cenário que faltava dentro do filme. Emoção para a equipe brasileira. Alegria dos que viram neve cair pela primeira vez. Alivio para aqueles que ficaram apreensivos pela sua ausência. A neve foi uma das razões para se filmar na região de Cárnia pois é a que mais neva na Itália. Só que a lei do improvável é cruel.

Fiquei duas semanas a mais para orientar os atores em cena, dando mais volume as propostas do diretor e facilitando o trabalho dos atores. Já que quando estou no set a minha atenção se volta a dramaturgia, o que aquilo tudo está dizendo e como estamos fazendo com que aquilo se produza. As minhas intervenções são para aprimorar, tornar mais claro as intenções dos atores ou diretor com as ações.

Dirigir é fazer escolhas, eu apenas executo com meus instrumentos as escolhas do diretor.

Essa ética precisa ser respeitada. Assim como eu respeito o desejo do ator de seguir um caminho ou outro. No máximo eu questiono o por que ou trago uma avaliação de que aquilo que se está fazendo representa dentro da dramaturgia da história ou daquela personagem.

A dramaturgia é uma construção em que cada peça independente se relaciona com as outras. Parece uma trilha de peças de dominó que quando uma cai leva consigo outras, só que de modo não linear. Adoro trabalhar em cima dessa construção. É necessário ter uma visão da macro estrutura e ao mesmo tempo micro estrutura. É preciso saber escutar o diretor, os atores e saber ler o roteiro. Também é preciso saber que cada bloco tem o seu tamanho, seu peso e sua ordem na estrutura. É preciso estar ciente que cada decisão pode levar ao desequílibirio  do todo mas que é possível reencontrá-lo em outra decisão. É importante levar em conta que nada é definitivo mas que dificilmente pode-se voltar atrás.

Isso é muito complexo e o ator precisa ter uma noção disto para escolher quais propostas fazer ao diretor.

Da minha parte eu procuro dar aos personagens muitas camadas que muitas vezes escapam na escritura do roteiro. Esse roteiro tinha isso. Faltava “carne”para os personagens. Uma história de amizade, superação e guerra. De homens na Terra de Ninguém tentando fazer a sua sorte. Um filme de desencontros, de desinformação, do improvável. É mais fácil a cobra fumar do que o Brasil ir para a guerra. Pois é a cobra fumou.

Isto estava contido no roteiro mas é uma história de personagens que na soma fazem uma pequena coletividade em que expressam sua individualidade. Uma individualidade abalada pela guerra. Personagens que representam a passagem para os tempos modernos, o fim das nações e o declínio dos valores da sociedade como eram até antes da guerra.

Enfim pouco a pouco fomos com muitas contribuições dos atores dando estofo aos personagens. Em alguns momentos até contrariando a visão do diretor para poder flexibilizar seu modo de pensar.

A Montanha foi um das produções mais coletivas que participei. Pelo menos no que refere a história e aos personagens. Foi uma negociação pois o diretor era também o roteirista e queria resguardar a sua proposta inicial. Mas também queria escutar os atores. Foi muito bom. Tirei muitas lições disto. É raro isto acontecer. Vivemos todos juntos no mesmo hotel muitas vezes almoçamos e jantamos juntos depois dos ensaios e das filmagens. E sem fazer distinção de quando era trabalho e quando era lazer continuávamos a criar.

Os atores europeus trouxeram seu modo analítico de trabalhar enquanto os brasileiros o seu modo intuitivo. Às vezes era o contrario. Mas o importante que todos queriam jogar juntos, sem estrelas ou desconfiança. Quem souber aproveitar vai ter mais que um filme.

Eles continuam lá na batalha da produção.

Enquanto o meu trem segue seu curso pela paisagem do Norte da Itália.

 

Auf Deutsch!

Em alemão!

Eu atuei em alemão. Sei que a minha cena na Montanha será dublada.

Com os 3 aparelhos na boca nem em português consigo me fazer entender que dirá em alemão.

Ainda mais improvisando!

Como eu adoro um desafio fui fazer a personagem que o diretor do filme Vicente Ferraz me pediu.

Me diverti muito.

Vestir um uniforme do exercito nazista e ter uma cena dramática, intensa… ameaçando de morte meu amigo que deserta. Dez segundos mas que representam bastante na vida do personagem do meu amigo.

Isso é importante ver quando se tem um personagem pequeno num filme.

Qual é a função dele no todo.

O meu influência a vida de um dos protagonistas. Mesmo tendo pouco texto.

Cinema sempre começa pelas imagens e depois vem o texto.

Nem sempre o roteiro é claro mas sabendo analisar e muita imaginação pode-se extrair muito material de um fragmento.

Falarei sobre isso no próximo curso!

Até lá!


Esculpindo em Nuvens

É assim que o ator Richard Sammel definiu o trabalho de ator.

Ele faz parte do elenco de A Montanha, assim como o italiano Sergio Rubini e o português Ivo Canelas. Do Brasil vieram Julio de Andrade, Francisco Gaspar, Daniel de Oliveira e Thogun.

Todos são atores experientes e possuem um modo próprio de trabalhar.

É uma trupe internacional, heterogênea mas que é unanime ao falar da importância da preparação que estamos fazendo para o filme.

Aproveitando o fato de estarmos hospedados ao pé dos Alpes e podendo trabalhar fora fazemos caminhadas de três ou quatro quilometros montanha acima e lá no calor do exercício ensaiamos. Fica evidente como o corpo se transforma e aos poucos se integra a paisagem. Ofegantes ou com calor os atores produzem de modo diferente, a respiração muda, o olhar muda, os gestos são mais econômicos mas ao mesmo tempo mais livres.

Tudo isso eu poderia conseguir numa sala fechada mas é um privilégio poder trabalhar ao ar livre.

Os atores europeus me agradecem muito por que fazendo isso podem se reciclar e se aprofundar no seu trabalho. Os atores brasileiros perdem seus ares urbanos e contemporâneos.

O importante dentro deste processo é não cometer excessos. Um dos temas do filme é sobrevivência mas não precisamos nos exaurir. É difícil sair do seu cotidiano para entrar no campo da ficção, da realização e da entrega. Mas isso é um defeito de nossa sociedade que se tornou prisioneiro do imediatismo. Que nos torna ainda mais ansiosos, carentes e controladores.

O que torna fascinante o nosso trabalho é o fato de termos que esculpir em nuvens que se movem e se transformam para além de nossa vontade. Fazendo com que nos rendamos ao movimento participando dele ao invés de querer controlar.

Muitas vezes caminho por aqui e percebo que mesmo que conseguisse, não seria capaz de registrar a paisagem que me circunda, que me toca e me transforma. Qualquer registro seria uma parte e só um acaso faria com que ela refletisse o que percebo nessa hora…

 

O Ator e a Paisagem

A importância da locação é muito grande no cinema.

Ela interage com o ator e não é apenas um pano de fundo.

É revelador do estado de alma do personagem e dependendo de como é fotografado pode dizer muito mais que a própria ação do ator.

Nos cursos de atuação não se dá muita importância a essa relação que o espaço tem na maneira de atuar. Mesmo nas escolas de teatro não se dá muita relevância ao espaço, já que o palco por ser um espaço neutro é ao mesmo tempo todos os espaços.

Eu costumo dizer que o corpo do ator é uma paisagem.

Suas ações o tempo.

Nesse trabalho que estou realizando aqui na Italia é a neve em contraposição a destruição da guerra que vai interagir com o corpo do ator.

Depois de amanhã seguiremos de Roma para Udine para conhecer a paisagem onde serão feitas as filmagens.

Mudança de Data

MUDANÇA DE DATA!!!
Olá Pessoal,
Há um ano estabeleci uma parceria com o Teatro do FAAP.
Em fevereiro faremos um outro curso Ator Imaginário
de interpretação e direção de atores para o cinema.
O método utilizado é o mesmo que aplico nos projetos
Xingu, Ensaio sobre a Cegueira, Cidade dos Homens, e recentemente estive em Nova York
participando da seleção dos atores para uma produção da Warner Bros e direção de Stephen Daldry (As Horas, O Leitor e Billy Eliot).
Eu adoro dar aulas e será um prazer tê-lo.
São poucas vagas, apenas 20.
Existe a possibilidade de formar uma segunda turma em outro horário.
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Oficina de 2011

Oficina de Interpretação e Direção de Atores no Cinema - Fevereiro de 2011

Esse ano quero trabalhar muito!
Tive experiências muito enriquecedores em 2010 que vou compartilhar no próximo curso.
Técnica é necessário para facilitar o trabalho. É algo simples mas isso não quer dizer que seja fácil de obter. É preciso disciplina e sobretudo uma disciplina que esclareça para você o que necessária para sua evolução.
Cada indivíduo é diferente e ao mesmo tempo somos feitos da mesma matéria tendo elementos em comum.
Aceitar essa condição é o caminho para comecar a desenvolver uma relação criativa com a sua disciplina.
Técnica não é dor nem é algo que você está atrás ou precisa conquistar. É algo que existe em tudo. Até para abrir uma porta. Técnica é percepção do que se faz, de como e de como utilizar para a finalidade que eu dou a minha ação.
Continuarei no curso… mas essas são as minhas palavras para o começo do ano.

O que vem pela frente?

Olho para frente mas é no Presente que quero ficar.

Esse blog é uma continuação do meu trabalho.

Comecei escrevendo para meus alunos mas aí passei a gostar de escrever para além da questão técnica do ator e da arte enquanto produto para ser prático e exercitar aquilo que proponho em aula.

A Observação e a Auto Observação.

A Arte é Contemplativa e por isso Inútil. Pode até estar impresso numa camiseta, num imã de geladeira, postado no You Tube ou numa xícara de café. O Estar da Arte causa, provoca, aciona, sua inutilidade invade a sensibilidade e nos leva a algum lugar na Imaginação. Ou seja o Inútil não quer dizer passivo mas muito Ativo.

Resumo antecipado do ano.

Encontros.

Esse ano visitei lugares novos e lugares conhecidos mas de maneira nova.

Fui ao Xingu. Estive com povos que tem uma outra cultura muito distinta da minha mas que moram dentro deste lugar chamado de Brasil. As suas terras tem muitos nomes com significados diferentes. Já o nome do meu país ganhou mais significado ao visitar esses lugares.

Já escrevi sobre o Xingu. Sobre o que eles me perguntavam e como eles mais uma vez me mostraram que com diferenças somos todos seres humanos.

Ali usei a técnica da Contemplação e a Ética para desenvolver um trabalho de confiança pois fazer ficção é dar vida a idéias que nem sempre são as suas e que podem gerar confusão. Daí a necessidade de ser claro ao apresentar as propostas e honrar os compromissos estabelecidos. Ou seja falar pouco para não morrer pela boca. Para o indígena a palavra vale muito.

A mesma coisa vale para o praticante do Candomblé, um Congueiro do vale do Paraíba, e uma criança seja de qual cidade for.

Palavras. O que ganhamos quando aprendemos de verdade a exercitar nosso papel, seja ela na realidade, seja ela na ficção, é dar valor a nossas palavras.

Isso eu pratico. É difícil por que é gostoso valer, dar palpite, comentar, fuxicar…matar o tempo abrindo a boca para não dizer nada.

A imagem mais forte desse ano está gravada mas provavelmente não será editada no documentário. É de um grupo de meninos em silêncio diante da câmera, que não conseguem abrir a boca durante dez minutos, até que um deles me diz: Neste filme eu quero ser figurante, eu não quero ser protagonista.

Ao que respondi dizendo que era impossível ele ser figurante por que eu fui até alí por que a sua comunidade me pediu que ele fosse figurante do seu filme. Que alí não haveria figurante, que não podia haver figurante, que mesmos calados todos eram protagonistas.

A lição deste ano foi Humildade.

Atuei, dei aula, dirigi, preparei, escrevi… mas o que aprendi foi isso.

Axé a minha vida por me dar essa oportunidade.